quarta-feira, 21 de agosto de 2024

O Uso de Maconha na Adolescência e Sua Relação com a Esquizofrenia: Riscos, Evidências e Estratégias de Prevenção

O uso de cannabis durante o período crítico de neurodesenvolvimento da adolescência pode levar a alterações estruturais, funcionais e histológicas cerebrais que podem sustentar alguns dos danos comportamentais e psicológicos de longo prazo associados a ele. O sistema endocanabinoide desempenha um papel regulador e homeostático fundamental, que passa por mudanças de desenvolvimento durante a adolescência, tornando-o potencialmente mais suscetível aos efeitos da exposição à cannabis durante a adolescência. Aqui, sintetizamos evidências de estudos humanos de usuários adolescentes de cannabis mostrando alterações no desempenho cognitivo, bem como na estrutura e função do cérebro com evidências pré-clínicas relevantes para resumir o estado atual do conhecimento.

Este artigo explora a relação entre o uso de maconha na adolescência e o desenvolvimento de esquizofrenia, destacando evidências científicas recentes e sugerindo estratégias para prevenção e intervenção.

Evidências Científicas Sobre a Relação Entre Uso de Maconha e Esquizofrenia

Pesquisas têm demonstrado uma ligação preocupante entre o uso de maconha na adolescência e o risco aumentado de desenvolvimento de esquizofrenia. Estudos têm mostrado que a exposição precoce à cannabis pode ter efeitos adversos significativos no cérebro em desenvolvimento. Os estudos sugerem que: 

  • o uso de cannabis, particularmente na adolescência, está associado a um aumento significativo no risco de esquizofrenia e outros transtornos psicóticos; 
  • a maconha pode atuar como um fator desencadeante em indivíduos geneticamente predispostos;
  • os mecanismos propostos incluem alterações na função cerebral e no sistema endocanabinoide;

Estratégias de Prevenção e Intervenção no Nível Individual

Os adolescentes podem preencher os vazios existenciais e desenvolver uma vida saudável e equilibrada sem recorrer a drogas e álcool. Aqui estão algumas sugestões:

Atividades Recreativas e Esportivas: Incentivar a participação em esportes, artes e atividades extracurriculares pode ajudar os adolescentes a encontrar propósito e satisfação sem recorrer ao uso de substâncias. Programas de mentoria e clubes sociais também podem oferecer apoio e um senso de pertencimento.

Desenvolvimento de Habilidades Sociais: Ensinar habilidades de enfrentamento e estratégias de resolução de problemas pode ajudar os adolescentes a lidar com estresse e pressão social de maneira mais saudável.

O Papel da Família

A família desempenha um papel crucial na prevenção e intervenção. Estratégias eficazes incluem:

Diálogo Aberto: Manter uma comunicação aberta e honesta sobre os riscos associados ao uso de drogas é fundamental. Conversas regulares e sem julgamentos ajudam a criar um ambiente onde os adolescentes se sentem confortáveis discutindo suas preocupações.

Modelo de Comportamento: Os pais devem servir como modelos positivos, demonstrando comportamentos saudáveis e responsáveis. A adoção de hábitos saudáveis e a evitação do uso de substâncias são importantes para influenciar positivamente os adolescentes.

O Papel dos Educadores

Os professores e profissionais da educação também têm um papel vital:

Educação e Conscientização: Implementar programas educativos sobre os riscos do uso de drogas e álcool pode ajudar a aumentar a conscientização entre os adolescentes. Sessões de conscientização e workshops podem abordar os efeitos a curto e longo prazo das substâncias.

Apoio Psicológico e Aconselhamento: Oferecer apoio psicológico e aconselhamento nas escolas pode ajudar os adolescentes a enfrentar problemas emocionais e comportamentais antes que se tornem graves. Programas de aconselhamento e suporte são essenciais para lidar com questões relacionadas ao uso de substâncias.

Conclusão

O uso de maconha na adolescência está associado a um risco aumentado de desenvolvimento de esquizofrenia e outros transtornos mentais graves. A evidência científica apoia a necessidade de estratégias eficazes de prevenção e intervenção para minimizar esses riscos. Ao adotar práticas preventivas e promover um ambiente de suporte, tanto a família quanto os educadores podem desempenhar papéis fundamentais na proteção da saúde mental dos adolescentes e na promoção de uma vida saudável e equilibrada.

Analise da literatura científica sobre os malefícios do uso de maconha

Vamos analisar a literatura científica sobre os malefícios do uso de maconha na adolescência e sua relação com transtornos mentais graves, como esquizofrenia, dependência química e suicídio. Aqui está uma revisão de artigos e pesquisas relevantes:

Fontes pesquisadas:

sábado, 17 de agosto de 2024

Distante - por Arthur Miranda


"Tenho andado de mim tão distante 
Parece que minha sombra fugiu de repente
Meus pensamentos navegam absortos
Num navio carregado de drogas e 'abortos'.

Sinto saudades de mim.
Onde foi que eu me perdi?
Tornei-me num labirinto escuro
Não consigo encontrar-me, com esses altos muros.

A gente é aquilo que se habitua 
Se drogar e aí a mente flutua,
Deixando varias marcas
No pulso as cicatrizes de cortes de facas

Passando a ser um vegetal 
Que agora se alimenta de droga respirável
Se tornando para os outros, um miserável
Com o raciocínio de um animal 

A morte mãe agora me alimenta
Minha vida ela frequenta
Como não sinto mais pavor
Por ela sinto apenas outro tipo de amor". Arthur Miranda

(Trecho do livro: O Jardim de Ervas Daninhas - Pague para entrar e reze para sair - por Arthur Miranda - prelo).

Deserto de mim - por Arthur Miranda


Atravesso esse deserto de mortalidade
A cada metro que transcorro
Ele de mim se vangloria
Colocando em minha mente
A sua imensidão 
Não importa o quanto eu ande
Os meus olhos só veem areia

Não estou desesperando
Nem inquieto
Apesar das alucinações
Estou decidido a atravessar o deserto
Permaneço andando lento e reto
Há algo que vai me animando
Não estou morrendo
Estou me encontrando
Apesar de parecer que estou me perdendo.

(Trecho do livro: O Jardim de Ervas Daninhas - Pague para entrar e reze para sair - por Arthur Miranda - Prelo). 

segunda-feira, 29 de abril de 2024

O sofrimento psíquico da geração que se esconde em capuz e se automutila


 Existir é um processo mental doloroso, principalmente entre os 12 e 27 anos quando o cérebro experimenta grande transições. Logo o cérebro na adolescência vivência uma criança querendo sair ao mesmo tempo em que um adulto quer entrar. Isso é como ligar um aparelho elétrico de 110V numa tomada de 220V: ao ligar um aparelho 110V em uma tomada de 220V, o aparelho receberá o dobro da tensão elétrica que necessita, e como consequência entrará em colapso. E é durante esse terrível estágio da vida que fazemos os mais angustiantes malabares entre reticências, exclamações e interrogações, constituindo assim, a adolescência como a fase mais difícil da existência humana, pois a não compressão dessa acentuada ebulição mental em si mesmos, faz com que muitos jovens optam pelo ponto final, tomando assim uma 'pseudo solução' definitiva para um problema temporário.

O cérebro, este organismo incrível,  precisa ser estudado, compreendido e tratado como se trata todo o resto do corpo. Por isso, precisamos falar com nossos adolescentes sobre o que está acontecendo dentro da sua cabeça e que isso é uma evolução natural de seu cérebro. É a mais longa e dolorosa fase de transformação de sua vida. É um ciclo quase insuportável? Sim, é verdade, mas quando os adultos o compreende e aceita-o como o ciclo mais difícil de se fechar na vida e passam a falar sobre ele com seus filhos adolescentes, incentivando-os a dizerem o que sentem, a não se isolarem na dor, a verbalizarem suas dores de existir e se permitirem à ajuda de  profissionais da saúde mental, ou de grupos de apoio, o afeto da família, dos amigos, de voluntários; o suicídio pode ser evitado.

Por que os adolescentes se matam?

Não existe uma única razão para que alguém opte pela autoextermínio. O suicídio é o resultado de uma rede de fatores biológicos, genéticos, psicológicos e socioculturais e é por isso que não são só os adolescentes optam pelo autoextermínio, entretanto, a incidência é 60% maior na fase de transição do cérebro da adolescência para a vida adulta. Entre os jovens de 14 a 27 anos é a segunda causa de morte, considerado pela Organização Mundial de Saúde, uma epidemia.

Riscos iminentes de suicídio na infância e na adolescência

É claro que num momento ou outro pode acontecer de nos sentirmos ansiosos, impulsivos, instáveis emocionalmente, desesperançados, profundamente triste e depressivos. Todavia, é necessário observar com grande responsabilidade a recorrência desses quadros, a fim de compreendermos que estamos caminhando para um risco iminente de desejarmos a morte como a solução definitiva para os nossos problemas temporários.  A seguir, veremos os riscos iminentes de suicídio e falaremos sobre cada um deles distintamente.

Os fatores que mais corroboram com a decisão do ato extremo são:

  • Ansiedade: é preciso distinguir ansiedade normal de ansiedade patológica. A ansiedade normal é aquela que acontece em momentos de grande excitação positiva ou negativa, mas logo passa. A ansiedade patológica é aquela que persiste por mais de 15 dias e traz consigo, insônia, palpitações, sensação de esmagamento no peito e até mesmo desmaio.
  • Dor física: As dores físicas podem desencadear um grande sofrimento psíquico e a pessoa desejar a morte para que fique livre da dor. Pode acontecer com pessoas diagnósticas com câncer, AIDS ou aquelas que perderam algum membro do corpo num acidente ou sofreram queimaduras. Essas pessoas precisam de muito amparo afetivo para continuarem a lutar pela vida.
  • Dor psíquica: A dor psíquica nos acomete no momento do nascimento quando vivenciamos a primeira a sensação de abandona e nos acompanha por toda a vida. Passaremos a vida inteira na busca de preencher esse vazio inconsciente e para preenchê-lo faremos, tantas vezes, escolhas erradas, dentre elas, a prática de sexo não saudável, o uso de drogas e álcool, a violência, etc. A dor psíquica precisa ter voz e precisa ser ouvida. Por isso é imensamente importante a escuta terapêutica desde à infância até a vida adulta.
  • Bullying: Há em média 9 tipos de bullying: o psicológico, o escrito, o verbal, o moral, o social, o cyberbullying, o material, o sexual, o físico. Todos os dias, a maioria de nós sofre ou pratica um ou mais desses tipos de bullying. Para quem pratica é engraçado, mas para quem sofre, é dor psíquica tamanha que pode levar a pessoa à decisão do ato extremo.
  • LGBTfobia: 50% das pessoas LGBTs já tentaram suicídio. A média de vida de um LGBT é de 37 anos. Só existem dois tipos de pessoas no mundo: as boas e más. Ser um LGBT não faz uma pessoa ser má. Mas discriminar, excluir, maltratar, bater e até mesmo matar alguém por sua condição de gênero, é ser mau, bárbaro, inumano. A única pedagogia que funciona é a do amor, da aceitação, da bondade. Cada ser é único e é múltiplo, e como isso é maravilhoso.
  • Depressão: Todas as pessoas que têm depressão cometem suicídio? Não, mas todas as pessoas que cometem suicídio apresentaram quadros de depressão. São tristeza profunda além de 15 dias, falta de apetite estrema, se cortar, se queimar, chorar sem motivo aparente, se isolar, não se sentir motivado nem mesmo com as coisas que mais gostava de fazer, insônia ou dormir demais.
  • Automutilação: A automutilação é um ensaio para o suicídio. Quando uma pessoa começa a se cortar, se queimar, se bater... está gritando por socorro. A automutilação precisa ter voz. A automutilação é dor psíquica silenciada que precisa vir à tona antes que o ensaio se torne um fato.
  • Abuso sexual: Ser abusado sexualmente na infância é passar o resto da vida debaixo de escombros onde você nem morre e nem vive. Um infortúnio tão grande que pode desencadear sérios quadros de transtornos mentais na adolescência, vários distúrbios emocionais e de comportamentos e coloca a pessoa em risco iminente de suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde o suicídio entre crianças de 5 aos 12 anos está relacionado à violência, especialmente a sexual.

Como ajudar?

Tenho observado em muitas das pessoas que pedem ajuda, que elas não suportam em si mesmas a ideia de se autoajudarem; elas não têm misericórdia de si mesmas; não têm boa vontade com o seu processo de autocura... E elas não têm culpa de se sentirem assim, pois é como se estivessem no fundo de um poço aguardando por alguém que lhes jogue uma corda, mas quando isso acontece, só o fato de terem que laçar a corda em volta de si e darem o sinal para serem puxadas, é um esforço doloroso demais para elas. Porque quando se está no fundo do poço, a pessoa precisa ser salva de si mesma. Jogar a corda não adiantará. É preciso descer onde ela está e só depois de ouvi-la e compreender suas lágrimas, você poderá se agarrar a ela e levá-la para fora - para longe de onde ela estava - para que ela enfim comece a olhar para si mesma fora do poço e comece a acreditar que há uma existência com um sentido real fora do poço. Na prática isso quer dizer que não adiantará, coisa alguma, você dar conselhos, dar dicas de como sair daquele momento terrível. Só o que adianta, é ouvi-la, é compreendê-la, é abraçá-la, é demonstrar praticando que você tem tempo para ouvi-la. Oriente a buscar ajuda profissional, sugira ir com ela num Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e mantenha o número 188 (CVV) à vista.

 

Suicídio, um fenômeno social silenciado pela ignorância

Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que 800 mil pessoas morram por intermédio do autoextermínio forma anualmente, uma a cada 40 segundos, o que equivale a 1,4% dos óbitos totais. Cerca de 78% ocorrem em países de renda média e baixa. Segundo a OMS, apenas 28 países possuem estratégia nacional de combate à morte voluntária. A média global é de 10,7 por 100 mil habitantes, sendo 15/100 mil entre homens e 8 entre as mulheres.

Os dados não são precisos, com exceção dos países que levam a sério a prevenção e o acompanhamento do autoextermínio. De um total de 172 países membros, a OMS considera que apenas 60 países enviam dados de boa qualidade, na maioria, nações desenvolvidas. E é justamente nos 112 restantes que se encontram 78% dos suicídios registrados no mundo.

O Brasil está entre os 10 países do mundo no ranking do suicídio, onde ocorre em média 11.000 casos por ano. E isto é apenas um sub-índice, uma vez que muitos casos não são notificados como suicídio.

O sociólogo Émile Durkheim postulou em seus estudos que o suicídio é um fenômeno social que não dependente de raça, psicologia, hereditariedade e insanidade. Ele também destacou que o suicídio é uma doença da época, de cenários potencializadores, e que a  anomia seria a causa principal.  Anomia é um estado marcado pela falta de regulamentação, paixões ilimitadas, horizontes infinitos e grande tormento. Acerca disso, Durkheim afirma ainda que se tirarmos do homem tudo o que a sociedade lhe empresta em termos de educação, ele voltará a sua condição de animal. Logo a regulamentação não é apenas um conjunto de regras feito para afrontar quem discorda, mas uma forma de fazer com que os indivíduos respeitando os limites dos outros, aprendam fazer a própria regulamentação de seus limites.

Estamos vivenciando tempos pós-modernos, a era que o filósofo Zygmunt Bauman chamou de tempos líquidos, onde nada é para durar. E ele se não estava se referindo apenas as parafernálias eletrônicas e cia, mas também as relações pessoas, os laços afetivos, os vínculos sociais em prol de um bem comum... Nunca estivemos tão próximos, globalmente falando, de pessoas distantes, assim como nunca estivemos tão distantes das pessoas mais próximos. Estamos vivenciando - ao mesmo tempo - uma multidão e uma solidão.

Este contexto histórico corrobora muitíssimos para o sofrimento psíquico, especialmente dos mais jovens, conquanto estão na fase integral de todas as ebulições neurais, mentais, físicas, emocionais, sociais, religiosas, políticas, afetivas, sexuais, profissionais, educacionais... É a triste geração que se esconde dentro de moletons com capuz e se automutila.

O suicídio é um fenômeno social silenciado pela ignorância, seja política, moral, social e/ou religiosa. A ignorância é tanta que sequer podemos dizer a palavra 'suicídio' sem que ela cause um profundo desconforto. Como se o fato de não dizer, fará com que não exista. Entretanto, precisamos falar abertamente sobre o suicídio. Precisamos urgente tratar da nossa saúde mental do mesmo jeito que tratamos o nosso corpo. A visita a um terapeuta precisa ser vista como algo tão corriqueiro e normal quando ir ao dentista, à academia, ao salão de beleza, ao clínico geral. Precisamos aceitar de uma vez por todas que dor psíquica não é frescura, não é falta de Deus, não é para chamar atenção, não é mente vazia, não falta do que fazer... Dor psíquica é angustia, trauma, luto, desemprego, discriminação, preconceito, bullying, abuso sexual, violências físicas, verbal, psicológicas... Dor psíquica é um 'câncer' na alma, causado especialmente pela falta de liberdade e a usurpação do livre-arbítrio de ser quem se é.

Faz-se necessário que compreendamos que é a não aceitação das diferenças que faz do mundo um lugar horrível. Nós não somos iguais. Nós somos todos diferentes. E é exatamente essa unimultiplicidade do ser que faz dele alguém muito digno de respeito, aceitação e amor.

Em suma: como nos orientou a revolucionária psiquiatra, Nise da Silveira, "o que cura é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito". Então, precisamos lutar por políticas públicas destinadas aos cuidados para com a saúde mental desde à infância até a vida adulta: nas creches, nas escolas, nas comunidades e em todos os bairros.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

12 coisas que os pais podem fazer para ajudar a prevenir o suicídio

A adolescência é a maior e mais difícil fase do cérebro humano. É uma criança querendo sair e um adulto querendo entrar. Acontecem inúmeras mudanças físicas, biológicas, sociais, mentais e psicoemocionais. E é nessa fase em que os adolescentes são mais cobrados, sejam por si mesmo, pelos pais, escola e sociedade. Nesse corpo e cérebro "adoecidos" acontece um colapso que a maioria de nós chama de "arborescência", por acreditar que os sinais de ansiedade, mau-humor, isolamento, irritabilidade, choro, insônia, falta de apetite ou excesso de apetite e até a automutilação, são apenas "chiliques comuns da adolescência pós-moderna". Mas como saber se os altos e baixos normais da adolescência se tornaram algo preocupante?

Os pais e familiares podem ajudar pré-adolescentes e adolescentes a lidarem com a vida quando ela parece muito difícil de suportar. Aprenda sobre os fatores que podem aumentar os riscos de suicídio do seu filho e explore as 12 sugestões abaixo. Essas etapas podem ajudá-lo a se sentir melhor preparado para oferecer o apoio atencioso e sem julgamento de que seu filho precisa.

1. Se você notar sinais de que a saúde mental de seu filho está ameaçada, sintonize

Talvez seu filho esteja apenas tendo um dia ruim, mas quando os sinais de problemas de saúde mental durarem semanas, não presuma que seja apenas um humor passageiro. Estudos mostram que 9 em cada 10 adolescentes que tiraram a própria vida estavam enfrentando problemas de saúde mental, como ansiedade. Mas lembre-se:

Adolescentes que não foram diagnosticados com nenhum problema de saúde mental ainda podem estar em risco. Em parte, isso ocorre porque pode ser difícil identificar problemas de saúde mental em idades precoces.

Muitos adolescentes que tentam o suicídio não têm problemas de saúde mental subjacentes, mas na maioria dos casos, darão sinais de que estão pensando em acabar com a própria vida.

Seu objetivo deve ser permanecer calmo, alerta e pronto para falar com seu filho. Não espere que eles venham até você. Você pode começar dizendo: "Você parece triste. Estou aberto a falar sobre isso porque amo você e me importo com o que acontece com você". Aqui estão mais dicas para iniciar conversas sobre saúde mental com seu filho.

2. Ouças em julgamentos – mesmo quando seu filho não estiver falando

Não se surpreenda se seu filho adolescente se afastar quando você levantar o assunto de saúde mental ou suicídio. Tenha em mente que, mesmo que seu filho fique em silêncio no início, as ações podem falar ainda mais alto que as palavras.

Fique atento a grandes mudanças nos padrões de sono, apetite e atividades sociais de seu filho. O auto-isolamento, especialmente para crianças que costumam gostar de sair com os amigos ou praticar esportes, pode sinalizar sérias dificuldades. Se o seu filho está tendo mais dificuldades do que o normal com trabalhos escolares, tarefas domésticas e outras responsabilidades, estes são sinais adicionais que você não deve ignorar.

3. Perceba que seu filho pode estar enfrentando riscos de suicídio que você ainda não considerou

Muitos pais se perguntam: isso poderia realmente acontecer com meu filho? Infelizmente, a resposta é sim. Jovens de todas as raças, etnias, identidades de género, orientações sexuais, níveis de rendimento e origens comunitárias morrem por suicídio todos os anos. Na verdade, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 10 a 24 anos.

Aqui estão algumas coisas que podem levar os jovens a pensar em acabar com suas vidas:

  • Perda de um ente querido por morte, divórcio, destacamento, deportação ou encarceramento
  • Depressão
  • Bullying (pessoalmente ou online)
  • Abuso físico, psicológico e/ou sexual
  • Envolvimento com álcool e/ou drogas
  • Discriminação, rejeição ou hostilidade devido à identidade de género ou orientação sexual
  • Racismo, discriminação e desigualdades e factores de stress relacionados
  • História familiar de suicídio ou dificuldades de saúde mental
  • Estigma (a crença de que é errado ou vergonhoso falar sobre saúde mental ou suicídio)
  • Fácil acesso a armas de fogo ou outras ferramentas e substâncias potencialmente fatais
  • Testemunhar ou sofrer violência ou violência doméstica
  • Instabilidade financeira que causa preocupação e insegurança
  • Suicídio na escola ou grupo de amigos.

4. Tente não descartar o que você vê como “drama adolescente”

Nunca presuma que seu filho está exagerando ou brincando se disser ou escrever:

  • "Eu quero morrer."
  • "Eu não me importo mais."
  • "Nada importa."
  • "Eu me pergunto quantas pessoas viriam ao meu funeral?"
  • "Às vezes eu gostaria de poder simplesmente dormir e nunca mais acordar."
  • "Todo mundo estaria melhor sem mim."
  • "Você não terá que se preocupar comigo por muito mais tempo."
  • Muitas crianças que tentam o suicídio contam aos pais com antecedência (embora outras não). Estas palavras indicam uma necessidade urgente de ajuda.

Não corra o risco de estar errado sobre isso. Leve a sério todas as declarações e sinais sobre suicídio.

5. Responda com empatia e compreensão

Quando seu filho fala ou escreve sobre suicídio, você pode ficar chocado, magoado ou com raiva. Você pode até querer negar o que está vendo ou discutir com seu filho. Esses sentimentos são naturais e válidos, mas é essencial focar antes de mais nada nas necessidades do seu filho. Seu objetivo é criar um espaço seguro onde seu filho possa confiar em você para ouvir e expressar preocupação, mas sem julgamento ou culpa. Em vez de reagir da seguinte forma:

  • "Isso é uma coisa ridícula de se dizer"
  • "Você tem uma vida ótima - por que você terminaria com ela?"
  • "Você não quer dizer isso"
  • "Não acredito no que estou ouvindo"
  • "Você não sabe o que é sofrer"
  • "Você não tem nenhum problema"
  • "Você não tem motivos para chorar"

Gerencie seus próprios sentimentos para poder responder com empatia:

  • "Parece que você está com uma dor tremenda e não consegue ver uma saída, mas quem sabe eu possa te ouvir. Acredite, farei isso sem julgamentos"
  • "Talvez você esteja se perguntando como a vida ficou tão complicada e difícil e se você permitir eu posso atravessar esse deserto com você"
  • "Neste momento, você não tem certeza das respostas para os problemas que está enfrentando, mas juntos podemos descobrir"
  • "Você deve estar sofrendo muito para pensar em acabar com sua vida. Permita que eu tente ajudar. Podemos procurar ajuda qualificada juntos".

6. Busque ajuda profissional imediatamente

Se seu filho adolescente se machucar ou você sentir que ele corre o risco de tentar o suicídio, leve-o ao pronto-socorro do hospital local. A ação rápida é crucial quando as coisas atingem um ponto de crise.

Se você notar sinais de pensamentos suicidas, mas não sentir uma crise imediata, ainda assim precisará agir. Entre em contato com seu pediatra ou profissionais de saúde mental locais que tratam de crianças e adolescentes. Explique o que você está vendo e ouvindo e agende uma avaliação de saúde mental.

Os prestadores de cuidados de saúde podem ajudar você e seu filho a criar um plano de segurança que cubra:

  • Sinais de alerta ou gatilhos que seu filho sente que levarão a pensamentos suicidas
  • Possíveis etapas para ajudá-los a lidar com a situação quando se sentem desencadeados
  • Fontes de apoio: família, amigos, professores, mentores e outros
  • Contatos de emergência e medidas a tomar se a situação piorar

7. Tire do alcance as armas que você tem em casa. Faça o mesmo com outras ferramentas e substâncias letais.

É provado em mais de 100 estudos que as pessoas escolhem morrer pelo método mais fácil. Em países que têm acesso à armas de fogo, 90% dos suicídios são feitos com arma de fogo. De longe, a opção mais segura é remover armas e munições de sua casa enquanto seu filho adolescente está lutando com pensamentos suicidas. Muitas famílias entregam armas a parentes ou outras pessoas de confiança para ajudar a proteger seus filhos adolescentes durante um período vulnerável.

É claro que as armas não são o único meio de suicídio que o seu filho pode procurar. Medicamentos prescritos e de venda livre podem representar perigos durante uma crise suicida. As famílias devem manter os medicamentos guardados e, sempre que possível, reduzir o volume de medicamentos em mãos. 

O trabalho de remover ou trancar objetos e substâncias que possam facilitar a decisão pelo ato extremo, pode parecer assustador, mas a segurança do seu filho está em jogo. As tentativas de suicídio são muitas vezes impulsivas e um momento de crise pode aumentar muito rapidamente. Garantir que seu filho adolescente não possa usar meios letais na hora errada é fundamental.

8. À medida que o seu filho inicia o tratamento, concentre-se em criar esperança

A rede de apoio do seu filho: psiquiatra, psicólogo, terapeuta...  provavelmente recomendará uma combinação de etapas para reduzir os sintomas de saúde mental e pensamentos suicidas. Medicamentos, psicoterapia e técnicas para reduzir o estresse, como ioga, meditação ou registro no diário, podem fazer parte do plano.

Forneça garantias realistas para seu filho ao longo do caminho. Lembre-o (e a você mesmo) de que tempos difíceis não duram para sempre. As pessoas se sentem melhor quando recebem tratamento e apoio eficazes.

Se o seu filho expressar sentimentos de estigma ou vergonha, você pode lembrá-lo de todas as pessoas apresentam sintomas de falta de saúde mental em algum momento de suas vidas. A saúde mental faz parte da saúde total – e procurar ajuda é um sinal de respeito próprio e maturidade.

9. Incentive-o a ver familiares e amigos. Se preciso, vá com ele

Seu filho pode sentir-se relutante em passar tempo com outras pessoas, mas você pode explicar que o apoio social o ajudará a se sentir melhor. Embora no início possa ser necessário mais tempo de silêncio, um incentivo gentil para sair com a família, amigos e vizinhos será útil. Evite lutas de poder em torno de eventos ou convites específicos, pois seu objetivo é respeitar as necessidades do seu filho e minimizar o estresse.

10. Sugira exercícios. Se preciso, vá com ele

A atividade física alivia os sintomas de falta de saúde mental e apoia o plano de bem-estar do seu filho. Seja saindo para uma caminhada diária, um treino na academia, uma aula de ginástica on-line, artes marciais, natação, dança, esportes ou atividades recreativas ou artísticas. Atividades físicas, recreativas e artísticas podem:

  • Elevar o humor do seu filho estimulando a produção de endorfinas (substâncias naturais do cérebro e do corpo que ajudam a equilibrar o estresse e controlar a dor).
  • Proporcionar níveis mais elevados de serotonina, outra substância do cérebro e do corpo que leva ao humor positivo e ao sono reparador.

Os especialistas recomendam treinar de 30 a 40 minutos, 2 a 5 vezes por semana. Qualquer forma de exercício está bem. O que mais importa é que seu filho goste dessa atividade e se sinta motivado a praticá-la regularmente.

11. Incentive o equilíbrio e a moderação

Os adolescentes em crise precisam pegar leve consigo mesmos. Isto significa adotar um ritmo realista e evitar experiências que possam ser esmagadoras.

Tranquilize seu filho adolescente de que o autocuidado nunca é um sinal de fraqueza. Tudo o que fazemos na vida é afetado pela nossa saúde, por isso é essencial dar-nos tempo para curar. Grandes tarefas podem ser divididas em tarefas menores e mais fáceis de gerenciar e, gradualmente, à medida que a confiança e a força do seu filho aumentam, ele se sentirá pronto para assumir mais tarefas.

12. Lembrem uns aos outros que isso levará tempo

Você e seu filho se beneficiarão em saber que o progresso ocorrerá em seu próprio ritmo. Reveses podem acontecer – eles também fazem parte do processo de cura. Incentive seu filho a ser paciente e perdoar a si mesmo. Eles passaram por muita coisa, mas com o cuidado e o apoio certos, vocês dois verão melhorias.

Onde buscar ajuda qualificada:

  • Procure um CAPS – Centro de Assistência Psicossocial de Saúde
    próximo de sua residência.
  • Disque SAMU – 192
  • Ligue 188 – CVV – Centro de Valorização da Vida – A ligação é
    gratuita e funciona 24h., em todo território brasileiro. Também
    funcionam os chats on-line: cvv.org.br
  • Canal Pode Falar – Para adolescentes de 13 a 24
    anos: https://podefalar.org.br/

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

O uso de maconha na adolescência e sua correlação com a esquizofrenia


E eu que nunca fumei maconha, me vejo inserida nesse contexto social e impulsionada a expor a experiência acerca da esquizofrenia vivenciada pelo meu filho, Arthur Miranda. Ele começou a fumar maconha aos 14 anos e usou-a de modo exacerbado durante cinco anos. Depois de todo esse tempo nas grimpas alucinógenas da maconha, o meu filho surtou. Por sete meses tentamos tirá-lo do surto psicótico: onde ele ouvia, 24 horas por dia, vozes e também via pessoas sem cabeça transitando pela casa... Por fim, ele se matou. Meu filho, poeta, estudante de arquitetura, aspirante a arquiteto da Aeronáutica...(jamais revelou quaisquer sintomas de anomalias mentais) Meu filho lindo, amado e tão festivo, se matou. Se eu sabia que ele usava maconha? Sim, eu sabia e vivia feliz pensando: 'que bom que ele SÓ usa maconha'. Eu não sabia, ele não sabia... ninguém podia imaginar que ele tinha predisposição genética para os transtornos mentais; que ele tinha predisposição genética para dependência química. Sabe, isso não sai em exame de sangue e nem no teste do pezinho.

A coisa mais incrível nessa história toda (e tudo que digo é provável com laudos, exames e testemunhas) é que meu filho depois do primeiro surto passou 5 meses e 27 dias sem ouvir às vozes e tudo indicava que ele poderia ter uma vida "normal" apesar do diagnóstico: "Esquizofrenia do tipo esquizoforme concomitante com o uso de tetra-hidrocarbinol"... Mas qual?, ele em sua ânsia de ter a certeza de que era mesmo a maconha que desencadeava os surtos, planejou uma recaída. E no dia do seu aniversário de 20 anos, fumou dois cigarros de maconha. A psiquiatra já o havia alertado que caso isso acontecesse ele enlouqueceria outra vez... Foi isso que aconteceu... E depois de dois meses em Franco Surto Psicótico ele optou pela automorte. Ele deixou toda a sua experiência com o uso da maconha e com o surto psicótico em um manuscrito do qual chamou de "No Jardim de ervas daninhas: pague para entrar e reze para sair". 

Não é verdade que ele queria morrer, pois ele amava viver, sorrir, brincar... Mas ele não suportava mais viver daquele ouvindo vozes e vendo acéfalos. Ele não queria morrer, ele só não queria mais sobreviver. É diferente.

Eu gostaria de deixar bem claro que a minha intenção ao relatar essa história não é a de promover debates sobre a legalização e/ou descriminalização da maconha ou quaisquer outras drogas, mas sim, propor a reflexão sobre os riscos da drogadição ativa na adolescência por indivíduos geneticamente predispostos.

Tenho "apanhado" muito com a exposição dessa história, mas também imensamente apoiada. Eu não gostaria que isso tivesse acontecido com o meu filho e eu jamais revelaria as minhas vísceras em público, não tivesse eu a plena certeza do que eu digo. Eu não exporia a vida do meu único filho ao escárnio, se ele mesmo, antes de decidir pela morte, não tivesse feito isso em suas redes sociais de modo a se colocar como exemplo. Eu poderia, agora que não tenho mais problema algum com drogas em casa, seguir vivendo a minha vida tranquila e ignorar o fato de que o exemplo do meu filho pode servir de alerta aos que ainda não entraram na drogadição. Eu poderia. Sim, eu poderia, mas a minha consciência social não me permite.

É preciso que os jovens compreendam que tudo na vida evolui e a cannabis evoluiu também: há trinta anos atrás a quantidade de THC (principal substância psicoativa encontrada na maconha) era de 6% e atualmente é 25% com a média a subir, nos próximos anos, cerca de 13%....). O Centro Nacional de Biotecnologia, numa uma revisão sistemática atualizada, mostrou que o uso de cannabis em adolescentes e desenvolvimento posterior de esquizofrenia

O estudo teve como objetivo revisar a literatura recente não incluída em revisões anteriores e verificar a correlação entre o uso precoce de maconha entre adolescentes, entre 12 e 18 anos de idade, e o desenvolvimento de esquizofrenia no início da idade adulta. Um outro objetivo foi determinar se a frequência do uso de maconha demonstrava algum efeito significativo no risco de desenvolver esquizofrenia no início da idade adulta. 

Foram examinados quinhentos e noventa e um estudos. Os estudo foram analisados ​​utilizando uma série de testes não paramétricos e meta-análise que mostraram uma diferença altamente significativa nas taxas de probabilidade para esquizofrenia entre usuários de alto e baixo consumo de cannabis. E naqueles que não fazem uso de cannabis, as chances são bem menores.


Texto de Clara Dawn, presidente e fundadora do IPAM-Instituto de Pesquisas Arthur Miranda em prevenção à drogadição, aos transtornos mentais e ao suicídio na infância e na adolescência. Texto publicado originalmente em 2014, um ano depois do suicídio de seu filho, Arthur Miranda. Desde então, ela tem se dedico às pesquisas teóricas e de campo. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Setembro Amarelo, prevenção ao suicídio: por que setembro e por que amarelo?

Clara Dawn, presidente do IPAM
Clara Dawn, psicanalista.
Até bem pouco tempo não se podia falar sobre autoextermínio. O receio era que ao se falar sobre o assunto pudesse desencadear o chamado efeito Werther. Isso se refere ao romance “Os sofrimentos do jovem Werther”, do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, em 1774, onde ele narra a história de um jovem que, por não suportar uma desilusão amorosa opta pelo autoextermínio. 

Na época algumas pessoas que leram o livro cometeram suicídio, o que fez com que a venda do livro fosse proibida na Alemanha. E desde então o assunto se tornou um tabu em todo o mundo.

Mesmo que o efeito Werther, aconteça até os dias de hoje, sempre que um uma pessoa famosa comete suicídio, quando desafios do tipo A Baleia Azul surgem na internet, quando filmes e séries de TV mostram exemplos de como se matar, ainda assim, a maneira mais eficiente de se prevenir o ato extremo é falando abertamente sobre o desejo de praticá-lo.
 
Quebrando o tabu 

Imaginemos que foi pensando nisso que em 2004, o cineasta Eric Steel resolveu que não se prenderia às convenções impostas pelo coletivo de que não se deve falar em suicídio e decidiu colocar câmeras escondidas na ponte Golden Gate, uma das 7 maravilhas do mundo moderno, em São Francisco, na Califórnia, com o intuito de registrar as ‘automortes’. Na época do lançamento do documentário “A Ponte”, mais de mil pessoas já haviam se lançado dela desde a sua inauguração em 1937.  Muitos corpos nunca foram encontrados. Foram levados para o Pacífico pelas correntezas. Esse número ainda pode ser maior, já que existem casos de possíveis suicidas desaparecidos. 

O filme mostra pessoas subindo na barreira da ponte e se atirando. Além de documentar os atos, o diretor buscou depoimentos de familiares e amigos dos suicidas, revelando o impacto que isso causou em suas vidas. Steel registrou diariamente em 2004 a rotina paradoxal da Golden Gate Bridge, flagrando mais de vinte suicídios. Entre os testemunhos, ele colocou imagens de carros e nuvens se movendo rapidamente na ponte; usando assim, metáforas românticas para dizer que: morrer é uma questão de tempo; que o acelerar das cenas é uma alusão de que os suicidas apressam esse processo; que a ponte envolta por nevoeiros, representa a travessia entre a vida e a morte. 

Ainda que o documentário “A Ponte” trouxesse a lume, de modo controverso, a importância de se falar sobre o suicídio, e fizesse com que as famílias das vítimas exigissem das autoridades que colocassem uma grade de proteção ao longo da ponte, para impedir que os suicidas caíssem, isso até os dias atuais não aconteceu. As alegações são de que, o custo é muito alto; que ‘estragaria’ uma das sete maravilhas do mundo moderno; e que quem quer se matar, se matará de qualquer jeito. Alegações cretinas em detrimento das vidas. 

Assim, há de se compreender que uma rede de proteção ao longo da ponte evitaria sim, dezenas de mortes. Mesmo porque, segundo os depoimentos dos sobreviventes, eles se arrependeram no instante em que pularam. As pessoas sempre optam pelo suicídio da maneira disponível mais fácil É comprovado em mais 100 estudos que as pessoas sempre optam pelo suicídio da maneira disponível mais fácil. 

Segundo algumas fontes antigas, o filósofo Empédocles pulou para dentro do vulcão Etna. Os suicídios modernos desse tipo ocorreram em numerosos vulcões, mas o mais famoso é o Monte Mihara, no Japão. Em 1933, Kiyoko Matsumoto se suicidou pulando na cratera Mihara. Uma tendência de suicídio se seguiu, quando 944 pessoas saltaram para a mesma cratera no ano seguinte. Mais de 1200 pessoas tentaram suicídio ali até que uma barreira foi erguida. Barreira esta que, em 1936, precisou ser substituída por uma cerca mais alta, toldada por arame farpado, depois que outras 619 pessoas conseguiram saltar, transpondo a antiga cerca. 

Em todo o mundo, 30% dos suicídios são causados por envenenamentos por pesticidas. No Sri Lanka, tanto o suicídio por agrotóxicos, quanto o total de suicídios reduziram após certos tipos de agrotóxicos serem banidos. Nos países onde porte e posse de armas são legalizados, mais de 80% dos suicídios são por armas de fogo. Nos EUA, a maioria das mortes por armas de fogo acontece dessa forma – incríveis 64,2% dos 37.200 óbitos em 2016. No Brasil, essa porcentagem é de 4%, ou 1.728 mortes. Se os mesmos 4% da população do Brasil tiver uma arma (o que representaria 6 milhões de novas armas em casa), o total de pessoas que tiram a própria vida todo ano, proporcionalmente, passaria dos 16 mil. É como se 7 Boeings lotados caíssem todo mês. 

A melhor opção é falar abertamente sobre as dores psíquicas que conduzem uma pessoa ao ato extremo A questão principal não é, no entanto, extinguir os meios para se cometer suicídio, isso seria impossível, mas falar abertamente sobre as dores psíquicas que conduzem uma pessoa ao ato extremo. De acordo com uma recente revisão de 31 artigos científicos sobre suicídio, mais de 90% das pessoas que se mataram tinham algum transtorno mental como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar e dependência de álcool ou outras drogas. 

Atualmente, estudos mostram que perguntar a indivíduos em risco se eles estão pensando em suicídio não aumentam suicídios ou pensamentos suicidas; na prática é o contrário: descobertas sugerem que reconhecer e falar sobre suicídio pode de fato reduzir em vez de aumentar a ideação suicida. Especialmente quando a pessoa é capaz de verbalizar suas angústias. 

Um problema de saúde pública que vive atualmente a situação do tabu e do aumento de suas vítimas é o suicídio. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.

 Setembro Amarelo, prevenção ao suicídio: por que setembro e por que amarelo? 

Mesmo com tantos motivos relevantes para se quebrar o tabu acerca do autoextermínio, somente em 2015 a Organização Mundial de Saúde instituiu setembro como o mês, e amarelo como a cor, de prevenção ao suicídio. A escolha de mês de setembro e da cor amarela se deu por causa da história de um jovem americano, chamado Mike Emme, de 17 anos. Apaixonado por mecânica, Mike, o filho do casal Dale e Darlene, restaurou um Mustang 68 e o pintou todo de amarelo. Ainda que aparentasse uma personalidade tranquila e generosa, Mike optou pelo autoextermínio enquanto dirigia o seu carro. No dia do seu enterro, em 1994, pessoas próximas confessaram que nunca perceberam quaisquer sinais de angústia em Mike. 

Como forma de homenagear o rapaz e, ao mesmo tempo, trazer uma conscientização para a causa, amigos de Mike fizeram uma cesta com 500 cartões enfeitados com fitas amarelas que traziam a mensagem, “Eu estou disponível para te ouvir”. Para maior parte de nós, o sol nasce. Então pensamos ‘amanhã é outro dia’, mas para muitos, o sol nunca nasce. E tudo que eles esperam é que a morte os liberte da dor de existir num mundo sempre nublado. 

O que leva alguém a ultrapassar os limites da própria vida? 

Às vezes, em momentos de real desespero, pensamos em ultrapassar esse limite. Mas há aqueles em que esses pensamentos são diários. Quando uma dor física qualquer se torna insuportável, somos capazes de fazer qualquer coisa para alivia-la. O mesmo acontece quando a dor psíquica é imensa, a pessoa chegará ao limite de tirar a própria vida, para não sentir mais aquela dor. Talvez haja uma certa quantia de liberação da dor psíquica, através da dor física. O suicídio na adolescência já é considerado uma epidemia O suicídio na adolescência já é considerado uma epidemia. No Brasil é a segunda causa de morte entre 12 e 27 anos. 

O adolescente, silencioso ou barulhento, tem uma alma que grita para dentro. Ter uma alma que grita não é ruim: grandes poetas, grandes cientistas, grandes artistas, grandes músicos, grandes pensadores… tiveram e têm almas que gritam. Nada obstante, é de muita importância que os pais saibam que o adolescente está atravessando a maior e mais difícil fase do cérebro humano. 

Dos 12 aos 27 anos, a vida é uma ponte bem trêmula de se atravessar. Para uns mais do que para outros. Esta é a fase das maiores cobranças psicossociais, mas o cérebro não sabe disso, o cérebro é físico/mecânico e precisa evoluir. Em sua evolução faz um ‘caos’ interior na cabeça do adolescente: diminui significativamente a produção dos hormônios que o deixava feliz na infância, porque ele precisa experimentar o tédio a fim de ‘construir as grandes coisas nas ciências e nas tecnologias’. 

É como ligar um aparelho de 110 numa tomada 220, o aparelho não aguenta a potência e entra em colapso. Pense que tudo isso está acontecendo dentro da cabeça do adolescente – enquanto ele atravessa essa ponte onde as paisagens são cobranças psicossociais, os problemas com a transformação do corpo, com a sexualidade, com os conflitos familiares, com os desencontros de interesses das relações… 

Como se tudo isso não fosse o bastante para que os jovens optem pelo suicídio, há pelo menos mais duas questões de extrema relevância: a predisposição genética para os transtornos mentais e o uso exacerbado de drogas, enquanto o cérebro se encontra nesse estágio de grande confusão, por assim dizer. 

O uso indiscriminado de drogas, e por drogas se inclui também o álcool, na adolescência, é como colocar o motor de uma Ferrari num Fusca, a mecânica não comporta tamanha potência e entra em colapso. E é nesse momento de colapso que os transtornos mentais desencadeiam, em indivíduos geneticamente predispostos. Podem desencadear transtornos mentais desde ansiedade, depressão, transtorno bipolar e até a esquizofrenia. E 90% das pessoas que cometeram suicídio apresentaram algum tipo de transtorno mental. 


Este artigo é um exceto do ensaio de pesquisa teórica e de campo, “Jovem, não morra na Golden Gate, da escritora, psicopedagoga e psicanalista, Clara Dawn. É proibida a reprodução total ou parcial sem citar e linkar a fonte. Todos os direitos reversados de acordo com Lei Nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Reforma psiquiátrica: resumo histórico e a quebra do paradigmas psicossocioculturais

Texto do professor Rafael Lustosa Ribeiro, 
mestre em história da psiquiatria e saúde mental

O indivíduo considerado louco adquiriu várias “máscaras” no decorrer da evolução humana, passando de um indivíduo que teria um contato místico com entidades divinas à uma possessão demoníaca, depois um ser doente por um único fator e em seguida por diversos fatores. Essa mudança de visão sempre sofreu influência de diversos fatores, sejam eles sociais, religiosos e econômicos, que vingavam no período da época estudada. 

Quando nos debruçamos nos principais períodos relacionadas ao entendimento da loucura, no princípio, observamos o entendimento da loucura como algo místico, em que o indivíduo foi tomado por uma força sobrenatural, que para se curar e devia recorrer a rituais ou a benzimentos por um xamã ou sacerdote da tribo. 

Em posteriori, a concepção tomou uma nova cara, apresentando a loucura como a mudança de um equilíbrio natural do ser humano. Isso é o que afirmava Hipócrates (460 a.C.-356 a.C.) e seus seguidores na época greco-romana, onde o desequilíbrio dos quatro humores resultaria em uma patologia. Para isso, o indivíduo deveria realizar caminhadas, massagens corporais, dietas específicas, fumigação de ervas, entre outros recursos naturais. 

Não muito distante, no período conhecido como Idade das Trevas (Idade Média), a concepção da loucura era dividida de acordo com o status social. Assim, os indivíduos loucos das classes altas pagavam os padres e a assistência era feita através da reza por parte da Igreja Católica - a qual era a grande influenciadora na época-, contudo, se não fosse dessas classes sociais o destino era o isolamento social, seja em lugares afastados ou vagando em um barco solto sem rumo no mar. 

Essa visão teve fim a partir da época do Renascimento - meados do séc. XVI -, onde o conceito de razão dominava o modo de pensar e agir. Com isso, o entendimento de que o louco era uma pessoa desprovida de razão, tornando o entendimento de loucura como a quebra da humanidade da pessoa, por sua vez, o transformando em um animal, pois ele perdeu seu lado racional, o que o caracterizava sendo um ser pensante e racional. Essa ideia ainda era realçada pela não adaptação do louco com o processo de civilização da época. 

Frente a isto, os modelos de cuidado eram baseados na criação de hospitais gerais para um cuidado firmado na vigilância e punição, ambos realizados por meio do uso da força bruta. Com a chegada da Revolução Industrial, Revolução Francesa e, também, o Iluminismo, um médico chamado Philippe Pinel apresentou um cuidado diferente nos pacientes psiquiátricos, tornando-se pioneiro nessa visão. Ele acredita que a loucura era unicausal, dando foco apenas para um aspecto clínico, e realizou um cuidado mais focado no paciente, através de discussões, escutas, programas e atividades voltadas para os pacientes e seus interesses. 

O psiquiatra francês, Philippe Pinel (1745-1826) foi pioneiro em classificar as loucuras quanto sua nosologia e prescrever cuidados específicos para cada doença. Mais atualmente, a Reforma Psiquiátrica, criada por Franco Basaglia, explora um conceito de assistência diferente dos já abordados, tendo como lugar de cuidado o lado de fora do hospital, voltando-se para a comunidade ou território que o paciente vive. Basaglia, por sua vez, entende a loucura como algo multifatorial, dando diversas causas para a ocorrência dela. 

Para concluir, a reforma psiquiátrica tem o papel de utilizar a comunidade em que o paciente está inserido como fator de assistência para sua inclusão e ajuda na assistência prestada a ele, não o deixando isolado do mundo, mas fazendo-o parte ativa da sociedade. Além disso, essa reforma busca a realização e a execução de seus direitos como cidadão do mundo, fazendo disso um dos planos para seu cuidado. Quando pensamos que o modelo etiológico e de cuidado da loucura foi alterado com o passar do tempo e devido a sociedade, a religião e a economia, encontramos uma série de motivos para essas mudanças. 

No entanto, atualmente, dois modelos apresentaram uma grande mudança no entendimento da loucura e na assistência prestada para tal paciente, sendo o modelo de Pinel e o modelo de Basaglia. Sabendo que no primeiro modelo o cuidado era voltado para atividades exercitadas no hospital e a visão da doença era unicausal e, no segundo modelo, o cuidado é territorial e a doença tem como início várias causas (multicausal). 

Um dos meios de evitar a perpetuação de erros do passado e aprender com eles, é de suma importância entender como era a assistência a pacientes loucos antes da reforma psiquiátrica. Nesse sentido, recomendamos a leitura do livro O Holocausto Brasileiro, que conta através de relatos e fotos a história do manicômio de Barbacena, interior de Minas Gerais, relatando a crueldade que eram os cuidados aos pacientes. Do livro fizeram um documentário que você pode assistir na íntegra abaixo. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS. 

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Transtorno mental pode ser passado de pai para filho, diz especialista


Qualquer doença hereditária, incluindo alguns transtornos psicológicos, é causada por uma ou mais anomalias no material genético (DNA), por diversos fatores, e pode ser transmitida adiante, de um ou ambos os pais para os descendentes. Porém, quando confirmada alguma mutação patogênica, não quer dizer que a doença já está presente desde o nascimento ou se manifestará. Há o risco, mas vários outros fatores estão envolvidos no seu desenvolvimento.
 
Às vezes, acontecimentos desencadeiam o "despertar", por assim dizer, de genes que até então estavam "adormecidos", como os que levam ao desenvolvimento de alguns transtornos de humor e comportamentais e cuja existência por si não representaria um perigo. 

"O sujeito tem uma predisposição genética, mas não significa um determinismo", esclarece Wimer Bottura, psiquiatra pelo IPq-FMUSP (Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP). 

Na lista das principais influências externas que podem modificar genes aparecem: 
 
  • Estresse (agudo ou prolongado) 
  • Dores crônicas 
  • Sofrimento no útero materno 
  • Dependência em drogas 
  • Histórico de traumas 
  • Abusos e conflitos na infância. 

Todos esses eventos contribuem para o processo no qual as instruções contidas no DNA gerem maior vulnerabilidade a alguns transtornos. Contudo, não existe gene causador específico. 

"A ciência acredita em uma combinação e interação de vários deles, diferentes, e que podem modificar o funcionamento cerebral e eventualmente desencadear desordens variadas", informa Júlio Barbosa, médico pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e neurocirurgião.

Pesquisadores brasileiros desenvolvem vacina que pode minimizar os efeitos da cocaína e do crack no organismo

O candidato a imunizante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concorre ao Prêmio Euro Inovação na Saúde, que reconhece grandes inovações da área médica e incentiva o desenvolvimento de soluções. A vacina anticocaína concorre na categoria Inovação Tecnológica Aplicada em Saúde. Os vencedores das categorias concorrem ao prêmio de Grande Destaque. As informações são da CNN. “Estamos na final de um prêmio latino-americano que proveria os recursos para terminarmos estas etapas clínicas, caso sejamos finalistas”, afirma o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina e pesquisador responsável, Frederico Garcia. Para votar é necessário ser médico com registro em um dos países com participação da farmacêutica financiadora da premiação. Podem votar profissionais de medicina com registro ativo nos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, Equador, México, Colômbia, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Costa Rica, Honduras ou República Dominicana. Resultados promissores A etapa dos ensaios pré-clínicos, realizados com animais, mostrou resultados promissores na redução do impacto da droga em camundongos, como mostrou a CNN em 2021. Desde então, o projeto concluiu as etapas pré-clínicas, em que foram constatadas segurança e eficácia para tratamento da dependência e prevenção de consequências obstétricas e fetais da exposição à droga durante a gravidez em animais. Os próximos passos incluem a realização dos estudos clínicos, com voluntários humanos. O pedido deve ser encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o professor Frederico Garcia, a pandemia impactou o andamento do projeto e que o avanço para as próximas fases depende de recursos. Atualmente, não existem tratamentos registrados em agências regulatórias para essas dependências. As alternativas disponíveis são comportamentais ou usam medicamentos que ajudam a tolerar a abstinência ou diminuir a impulsividade. “Esse é um problema prevalente, vulnerabilizante e sem tratamento específico. Os nossos estudos pré-clínicos comprovam a segurança e eficácia da vacina nesta aplicação. Ela aporta uma solução que permite aos pacientes com dependência se reinserir socialmente e voltar a realizar seus sonhos”, explica Garcia. O crack e a cocaína são consumidos por mais de 18 milhões de pessoas no mundo, segundo o Escritório das Nações Unidas (ONU) para Drogas e Crimes. Desse total, 25% podem se tornar dependentes. A candidata a vacina desenvolvida na UFMG induz o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea. Essa ligação transforma a droga numa molécula grande, que não passa pela barreira hematoencefálica, uma estrutura que regula o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central. “Demonstramos a redução dos efeitos, o que sugere eficácia no tratamento da dependência. Pensamos em utilizar o fármaco para evitar recaídas em pacientes que estão em tratamento, dando mais tempo para eles reconstruírem sua vida sem a droga”, detalha o pesquisador. Outra possibilidade de uso foi observada nos testes em ratas grávidas, que produziram níveis significativos de anticorpos. “A vacina impediu a ação da droga sobre a placenta e o feto. Observamos menos complicações obstétricas, maior número de filhotes e maior peso do que as não vacinadas”, diz Frederico. De acordo com o especialista, uma vacina para a prevenção primária de transtornos mentais – como no caso da proteção aos fetos gerados por dependentes de cocaína grávidas que forem vacinadas – seria algo inédito no campo da psiquiatria. A patente já foi depositada pela Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG. A proposta visa enfrentar a dependência em cocaína e seus derivados, como o caso do crack, que é uma mistura da substância com bicarbonato de sódio ou amônia. O projeto já concluiu os testes pré-clínicos e busca financiamento para avançar até a etapa com humanos. “Até então, este projeto foi inteiramente desenvolvido com recursos governamentais. Para restaurar a liberdade das pessoas com dependência e prevenir as consequências fetais precisamos dar início nos estudos com humanos”, completa o professor.

Você está pensando em suicídio? Veja aqui alguns canais de ajuda

A primeira coisa que você lerá neste texto é que a culpa do autoextermínio de uma pessoa não é de ninguém. A culpa não é, sequer, da pessoa que praticou o ato extremo. O maior instinto do ser vivo é a sobrevivência. Para se manterem vivos, os seres são capazes até de matar. Então, há se compreender quão grande é o sofrimento psíquico de alguém, ao ignorar o seu instinto de sobrevivência e lançar-se definitivamente na escuridão.

 A prevenção ao suicídio é um desafio coletivo que deve ser colocado em debate e prática. O autoextermínio de uma pessoa impacta outras 10, pelo resto de suas vidas. Não falar sobre o desejo de suicídio, não impede que ele se concretize, pelo contrário, falar francamente sobre a ideação e o desejo suicida é a melhor maneira de prevenir a prática. 

Se você está pensando ou desejando tirar sua própria vida, saiba que ainda não é tarde demais. Ainda há uma saída. O suicídio é uma decisão definitiva para um problema temporário. Antes de pensar em colocar um ponto final, tente um ponto e vírgula. Ou seja, você pode ter inúmeras razões para desistir, mas decida continuar. Procure ajuda qualificada. Veja aqui alguns canais:

Onde buscar ajuda gratuita?

  • Procure um CAPS – Centro de Assistência Psicossocial de Saúde
    próximo de sua residência.
  • Disque SAMU – 192
  • Ligue 188 – CVV – Centro de Valorização da Vida – A ligação é
    gratuita e funciona 24h., em todo território brasileiro. Também
    funcionam os chats on-line: cvv.org.br
  • Canal Pode Falar – Para adolescentes de 13 a 24
    anos: podefalar.org.br